Blog. Some a essa palavra o número 10.000.000 e você terá o número de “diários de bordo” eletrônicos no mundo hoje. Se preferir tente imaginar 10 milhões de profusas páginas de conteúdo e você encontrará a real dimensão da influência e da transformação que esta palavra inglesa – contração de weblog (diário de bordo) representa atualmente na comunicação mundial. Em 1999 era apenas um único diário de bordo navegando, á deriva, sozinho, na imensidão do mundo virtual.
Hoje para cada 100 internautas no mundo um possui uma página pessoal. É um número respeitável considerando a natureza dos blogs, que tinham até pouco tempo atrás um caráter estritamente confidencial. Servia á princípio apenas como um espaço para comentários esporádicos sobre assuntos aleatórios, muitas vezes, irrelevantes. Muito pessoais. No entanto, com o passar dos anos e a chegada de novos internautas dispostos a pluralizar os assuntos pautados, os blogs deixaram de ser um lócus virtual de conversa pra boi dormir e começaram a ganhar conotação e uso profissional, oficial.
Em um bate-papo de previsões na Sala Itaú Cultural de São Paulo, o jornalista Ricardo Noblat observou que os tão populares blogs deixaram de ser meros “consultórios sentimentais”, de pessoas líricas e gênios afins, e passou a ser um instrumento transformador e poderoso que está convergindo para o jornalismo. O novo jornalismo, diga-se de passagem, que está se alimentando destes “diários de bordo”, tão despretensiosos a princípio. Opinião de quem produz um dos blogs políticos mais acessados no país.
Com os novos espaços virtuais aonde se cria e se expressa o que quer, em um lócus onde tudo é público e de ninguém de fato, a contradição na sociedade ganhou contornos mais fortes, porque a informação deixou de ser linear e passou a ser difusa, quando centenas de milhares de pessoas ganharam a prerrogativa de poderem produzir conteúdo e conhecimento. De expressarem pensamentos alternativos para assuntos diversos, que até então tinham somente uma leitura.
Em um bate-papo de previsões na Sala Itaú Cultural de São Paulo, o jornalista Ricardo Noblat observou que os tão populares blogs deixaram de ser meros “consultórios sentimentais”, de pessoas líricas e gênios afins, e passou a ser um instrumento transformador e poderoso que está convergindo para o jornalismo. O novo jornalismo, diga-se de passagem, que está se alimentando destes “diários de bordo”, tão despretensiosos a princípio. Opinião de quem produz um dos blogs políticos mais acessados no país.
Com os novos espaços virtuais aonde se cria e se expressa o que quer, em um lócus onde tudo é público e de ninguém de fato, a contradição na sociedade ganhou contornos mais fortes, porque a informação deixou de ser linear e passou a ser difusa, quando centenas de milhares de pessoas ganharam a prerrogativa de poderem produzir conteúdo e conhecimento. De expressarem pensamentos alternativos para assuntos diversos, que até então tinham somente uma leitura.
Com base nisso, Noblat afirmou que a mídia virtual é uma “belíssima escola” que está reinventando o modo de fazer jornalístico que até bem pouco tempo se limitava a abordagens restritas, rebuscadas e entediantes sobre assuntos, que, agora, com as centenas de contribuições diretas ou indiretas de opiniões, seja a favor ou contra de um determinado assunto, lança novas reflexões sobre problemas e questões do cotidiano.
Com esta ferramenta a favor da liberdade de expressão, muita coisa veio á tona. Muita certeza se deixou de ter, e a quote shaksperiana de Hamlet que diz “há mais coisas entre o céu e a terra Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia” nunca esteve tanto em voga. Pois, criaram-se ambientes alternativos de discussão para pensar e repensar situações, comportamentos, idéias clichês que até então convenciam. Satisfaziam. Era "Deus no Céu" e a imprensa na terra. Agora, o que se vê é a decadência da monopolização das ilhas de saber – e da própria mídia convencional. Muita coisa se tornou relativa.
Assim, a razão, segundo Noblat, para o sucesso alcançado pela página pessoal que ele mantém como jornalista, discorrendo sobre política, deve-se muito a esta forma alternativa de análise e conversa com o leitor. Pois, se “comenta os comentários do dia e da semana”. Não é notícia, é discussão sobre a notícia. É um parecer. Não é uma conversa restrita entre jornalista e a fonte - como acontece muitas vezes, quando relações pessoais (amizade) predominam sob a relação profissional. Não há uma linha editorial, ditatorial, e este fenômeno é muito inusitado.
Com esta ferramenta a favor da liberdade de expressão, muita coisa veio á tona. Muita certeza se deixou de ter, e a quote shaksperiana de Hamlet que diz “há mais coisas entre o céu e a terra Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia” nunca esteve tanto em voga. Pois, criaram-se ambientes alternativos de discussão para pensar e repensar situações, comportamentos, idéias clichês que até então convenciam. Satisfaziam. Era "Deus no Céu" e a imprensa na terra. Agora, o que se vê é a decadência da monopolização das ilhas de saber – e da própria mídia convencional. Muita coisa se tornou relativa.
Assim, a razão, segundo Noblat, para o sucesso alcançado pela página pessoal que ele mantém como jornalista, discorrendo sobre política, deve-se muito a esta forma alternativa de análise e conversa com o leitor. Pois, se “comenta os comentários do dia e da semana”. Não é notícia, é discussão sobre a notícia. É um parecer. Não é uma conversa restrita entre jornalista e a fonte - como acontece muitas vezes, quando relações pessoais (amizade) predominam sob a relação profissional. Não há uma linha editorial, ditatorial, e este fenômeno é muito inusitado.
Na internet, nos blogs da vida, arrogância jornalística não cabe. Humildade é ótimo e as pessoas gostam e agradecem. Até porque, como lembrou Noblat, o blog criou outra situação extraordinária para aquele que produz nestas páginas conteúdos de cunho oficioso como os jornalistas, por exemplo, que assinam seus textos sem pseudônimos: criou-se uma espécie de corpo-a-corpo com o leitor delicado. Ou seja, com o advento dos blogs está se criando, no âmbito jornalístico, a necessidade de se ter uma perspicácia e um trabalho de apuração mais minuciosa do que a usual; sobre o que se publica.
A opinião pública face a face com a sociedade
Diferente do mundo dos impressos, onde barrigadas jornalísticas e erros são mais facilmente camuflados, assumidos de forma genérica pelo veículo, na internet o mecanismo é diferente. A história é outra. A exposição é maior e as implicações também. Por conseguinte, jornalistas de carreira que assinam colunas e páginas virtuais de opinião e notícia sentem o peso diferenciado do front de produção de informações.
Por fim, o jornalista chamou atenção para outra questão complexa e polêmica que circunda todo o mundo: o tempo de vida dos impressos. Se eles estariam fadados a acabar ou não. Noblat, de forma pontual, argumentou dizendo que a decadência da imprensa é culpa do modelo arcaico e sisudo no qual é veiculado e que seriam os próprios jornalistas os agentes que impede a revolução dos jornais, pois permanecem relutantes a mudanças e adaptações mais drásticas. A começar pelo discurso, pelo enfoque. A solução talvez seja ‘blogá-los’ um pouco ás novas demandas e possibilidades ligadas ao jornalismo.
A opinião pública face a face com a sociedade
Diferente do mundo dos impressos, onde barrigadas jornalísticas e erros são mais facilmente camuflados, assumidos de forma genérica pelo veículo, na internet o mecanismo é diferente. A história é outra. A exposição é maior e as implicações também. Por conseguinte, jornalistas de carreira que assinam colunas e páginas virtuais de opinião e notícia sentem o peso diferenciado do front de produção de informações.
Por fim, o jornalista chamou atenção para outra questão complexa e polêmica que circunda todo o mundo: o tempo de vida dos impressos. Se eles estariam fadados a acabar ou não. Noblat, de forma pontual, argumentou dizendo que a decadência da imprensa é culpa do modelo arcaico e sisudo no qual é veiculado e que seriam os próprios jornalistas os agentes que impede a revolução dos jornais, pois permanecem relutantes a mudanças e adaptações mais drásticas. A começar pelo discurso, pelo enfoque. A solução talvez seja ‘blogá-los’ um pouco ás novas demandas e possibilidades ligadas ao jornalismo.
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