domingo, 9 de novembro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A vida e a morte na fotografia de Kevin Carter


Kevin Carter, Sudão (1993)

A tênue linha entre a vida e a morte

O som brando e exaltado de um choro próximo a vila de Ayod (Sudão) atraiu o fotógrafo Kevin Carter até a pequena criança sudanesa. A garota parou para descansar enquanto esforçava-se para ir a pastagem mais ao centro, quando um abutre aterrissa próximo a ela. Kevin disse ter aguardado 20 minutos, esperando que o abutre abrisse as asas. Como não aconteceu, o fotógrafo ajustou as lentes e disparou várias vezes a câmara, acabando, por fim, espantando o abutre.

Kevin ganhou o prêmio Pulitzer de Reportagem pela fotografia, a mais importante distinção do jornalismo impresso. No entanto, passado as aclamações, foi alvo de críticas pesadas por só ter se preocupado em fotografar e não ter ajudado a pequena garota no momento horrendo em que o abutre espreitava a morte da criança. A mais emblemática das críticas foi a do jornal St. Petesburg Florida Times: "Um homem ajustando as lentes até conseguir o quadro perfeito do sofrimento da menina bem pode ser visto como um predador, outro abutre em cena".

Um outro fotojornalista, Joao Silva, que trabalhou com Carter durante missão humanitária das Nações Unidas (UN) no Sudão, aonde a foto foi tirada, contou que no momento em que a imagem foi captada, os pais da garota estavam ocupados tentando angariar alimentos durante distribuição de donativos no avião da UN. Os pais sudaneses abandonaram provisoriamente as crianças locais para conseguirem a ajuda.

A fotografia foi vendida e publicada no jornal americano The New York Times em 1993. Da noite para o dia, centenas de pessoas ligaram para o impresso para saber se a menina havia sobrevivido e, em resposta, o jornal publicou uma nota informando que, no episódio, a garota teve forças suficiente para se afastar do abutre e que seu destino era desconhecido.


Kevin Carter suicidou-se em 1994, um ano depois de ter tirado as fotos, vítima de depressão e do vício em drogas.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

XONGAS - Lula e São Tomé


''São Tomé estaria completamente desacreditado. Lula, por exemplo, nem vendo se acredita''.


A notícia deste post: o comentário espirituoso acima de Millôr Fernandes sobre o índice de aprovação (estratosférico) do Governo Lula, foi um assunto que deu pano pra manga. Mas antes de continuar, primeiro deixe-me situar você sobre a avaliação do governo Lula: 69% das pessoas consideram ótimo ou bom a gestão. O indíce de confiança no presidente chegou a 73%. Praticamente podem canonizá-lo!
Este alto grau de aprovação só foi alcançado no Governo Sarney durante o ápice do plano Cruzado, quando se esperançava com o pacote financeiro um futuro mais promissório para o Brasil. Lula também é "considerado o melhor cabo eleitoral que já existiu" (segundo Ricardo Noblat). Desta forma ele seria capaz de eleger até candidatos inelegíveis.
E então você se pergunta, e daí?

E daí que depois da sentença do Millôr, os desavisados e distraídos, como eu, se perguntam o quê tem a ver São Tomé com a santidade Luis Inácio Lula da Silva. Quem é, afinal, Tomé?

RESPOSTA: São Tomé, um dos doze Apóstolos escolhidos por Cristo é conhecido por sua incredulidade. De acordo com registros bíblicos, Tomé teria duvidado da ressurreição de Cristo e declarado que só se convenceria do milagre se ele pudesse sentir as chagas de Cristo, enfim, como prova do acontecimento, como retratou o pintor italiano Caravaggio:


A incredulidade de São Tomé
Deste episódio surge então a designação Tomé o Incrédulo. Mas passada a confusão do Apóstolo (não há menção biblíca sobre Tomé ter tocado de fato nas chagas) ele passa a professar sua fé em Lula, quer dizer, em Jesus.
Lula, afinal, ressuscitou também. Depois de todas as provações e escândalos que abalaram as estruturas da alta cúpula do PT e do Governo, Lula segue intrépido com o apoio siginificativo da população. Antônio Palocci, José Dirceu, Delúbio Soares e Marcos Valério foram os Judas Escariotes de outrora na vida de Luís Inácio. E eles passaram, ele passarinho. Portanto, Lula nem vendo se acredita, como disse Millôr.


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

STF dá a primeira poda no nepotismo: erva daninha pública

Por Bárbara K. Moraes de Camargo

Mais uma vez armas jurídicas foram lançadas para coibir o nepotismo.

Na segunda quinzena de agosto o Supremo Tribunal Federal decidiu que fica, agora, t-e-r-m-i-n-a-n-t-e-m-e-n-t-e proibido usar a função pública para nomear parentes em todas as instâncias dos Três Poderes – Legislativo, Judiciário e Executivo. Você deve estar se perguntando se a contratação de parentes até terceiro grau na máquina pública já não era um ato ilícito. Acontece que, até que esta decisão do Supremo fosse concluída, somente uma ação protocolada em 2005, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e um recurso do Ministério Público Federal haviam sido movidos contra esta prática perniciosa na cultura da política nacional. Que é realidade desde as esferas públicas locais até as de alto escalão. Como o senador Efraim Moraes, um dos campeões de nepotismo do país. Não bastassem todos os outros inúmeros problemas éticos que o país sofre desde o Brasil Colônia.

A lei, como era de se esperar, causou muita polêmica, inclusive no próprio Judiciário. Houve ministros que disseram que não era necessária a regulamentação para a prática do nepostismo, que bastaria decência no espaço público para que a exigência fosse cumprisse. E claro houve aqueles que afirmaram (graças a deus!) que o Brasil chegou ao limiar da tolerância e era necessário, de fato, regulamentar o que já estava na Constituição.

No entanto, especialistas no assunto – sociólogos, desanimam (com fundamentação) nossas ávidas esperanças pelo fim destas práticas abusivas que corrompem e espoliam a máquina pública brasileira. Estudiosos afirmam que não é somente uma canetada do STF que vai acabar com o problema. A questão perpassa outros âmbitos. Outros agravantes. A proliferação de cargos de confiança é um deles. A cultura secular de apropriação de bens públicos por homens públicos é outra. Desta forma o sonho da política saneada é uma ilusão que para se tornar real deve contar com mais estratagemas – ações contínuas e sólidas para desmontar esta rede privilégios. Limpar a administração pública destes abusos irá custar mais mobilizações, vetos e fiscalizações. Com certeza. Inclusive, a corrente do contra já chiou sem vergonha alguma.Teve parlamentar que chegou a sugerir uma “cota” para parentes que podem ser contratados. Outros alegaram que o nepotismo é legítimo. E que só é abusivo quando se nomeia parentes que não trabalham ou pessoas inadequadas ao cargo.

Este tipo de mentalidade vinda de político, salvo as exceções, 'venhamos e convenhamos', é pura redundância! O governador do Paraná, Roberto Requião, por exemplo, empregava a mulher, a irmão, o irmão… três sobrinhos. Porém, a primeira-dama e a irmão de Requião devem ser mantidas nos cargos que ocupam. O mesmo deve acontecer com a irmã do governador mineiro Aécio Neves – Andréa Neves. Todas três ocupam cargos não-remunerados e na visão do Supremo, secretários e funções não-remuneradas são exceções à regra.

Como se pode ver, a decisão do STF é apenas o primeiro (tímido) passo rumo a uma estrutura administrativa qualificada, que selecione de forma transparente e meritocrática os ocupantes de cargos em comissão.

sábado, 6 de setembro de 2008

BH agora tem comédia stand-up


A ''comédia em pé'', ou ''humor de cara limpa'', privilegia o humorista que se apresenta sem figurinos, maquiagem ou acessórios e que sobe no palco apenas com um microfone para apresentar um texto de sua própria autoria. Não se trata de contar piadas conhecidas do público - anedotas - e sim de construir situações engraçadas a partir de observações do cotidiano. Uma forma de arte declaradamente aberta ao riso e que respeita a inteligência de quem assiste.
  • toda terça-feira a partir das 20h
  • bar Canapé
  • Major Lopes 470, São Pedro

Blog: Os “diários de bordo” eletrônicos que redescobriram o Jornalismo


Blog. Some a essa palavra o número 10.000.000 e você terá o número de “diários de bordo” eletrônicos no mundo hoje. Se preferir tente imaginar 10 milhões de profusas páginas de conteúdo e você encontrará a real dimensão da influência e da transformação que esta palavra inglesa – contração de weblog (diário de bordo) representa atualmente na comunicação mundial. Em 1999 era apenas um único diário de bordo navegando, á deriva, sozinho, na imensidão do mundo virtual.

Hoje para cada 100 internautas no mundo um possui uma página pessoal. É um número respeitável considerando a natureza dos blogs, que tinham até pouco tempo atrás um caráter estritamente confidencial. Servia á princípio apenas como um espaço para comentários esporádicos sobre assuntos aleatórios, muitas vezes, irrelevantes. Muito pessoais. No entanto, com o passar dos anos e a chegada de novos internautas dispostos a pluralizar os assuntos pautados, os blogs deixaram de ser um lócus virtual de conversa pra boi dormir e começaram a ganhar conotação e uso profissional, oficial.

Em um bate-papo de previsões na Sala Itaú Cultural de São Paulo, o jornalista Ricardo Noblat observou que os tão populares blogs deixaram de ser meros “consultórios sentimentais”, de pessoas líricas e gênios afins, e passou a ser um instrumento transformador e poderoso que está convergindo para o jornalismo. O novo jornalismo, diga-se de passagem, que está se alimentando destes “diários de bordo”, tão despretensiosos a princípio. Opinião de quem produz um dos blogs políticos mais acessados no país.

Com os novos espaços virtuais aonde se cria e se expressa o que quer, em um lócus onde tudo é público e de ninguém de fato, a contradição na sociedade ganhou contornos mais fortes, porque a informação deixou de ser linear e passou a ser difusa, quando centenas de milhares de pessoas ganharam a prerrogativa de poderem produzir conteúdo e conhecimento. De expressarem pensamentos alternativos para assuntos diversos, que até então tinham somente uma leitura.

Com base nisso, Noblat afirmou que a mídia virtual é uma “belíssima escola” que está reinventando o modo de fazer jornalístico que até bem pouco tempo se limitava a abordagens restritas, rebuscadas e entediantes sobre assuntos, que, agora, com as centenas de contribuições diretas ou indiretas de opiniões, seja a favor ou contra de um determinado assunto, lança novas reflexões sobre problemas e questões do cotidiano.

Com esta ferramenta a favor da liberdade de expressão, muita coisa veio á tona. Muita certeza se deixou de ter, e a quote shaksperiana de Hamlet que diz “há mais coisas entre o céu e a terra Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia” nunca esteve tanto em voga. Pois, criaram-se ambientes alternativos de discussão para pensar e repensar situações, comportamentos, idéias clichês que até então convenciam. Satisfaziam. Era "Deus no Céu" e a imprensa na terra. Agora, o que se vê é a decadência da monopolização das ilhas de saber – e da própria mídia convencional. Muita coisa se tornou relativa.

Assim, a razão, segundo Noblat, para o sucesso alcançado pela página pessoal que ele mantém como jornalista, discorrendo sobre política, deve-se muito a esta forma alternativa de análise e conversa com o leitor. Pois, se “comenta os comentários do dia e da semana”. Não é notícia, é discussão sobre a notícia. É um parecer. Não é uma conversa restrita entre jornalista e a fonte - como acontece muitas vezes, quando relações pessoais (amizade) predominam sob a relação profissional. Não há uma linha editorial, ditatorial, e este fenômeno é muito inusitado.

Na internet, nos blogs da vida, arrogância jornalística não cabe. Humildade é ótimo e as pessoas gostam e agradecem. Até porque, como lembrou Noblat, o blog criou outra situação extraordinária para aquele que produz nestas páginas conteúdos de cunho oficioso como os jornalistas, por exemplo, que assinam seus textos sem pseudônimos: criou-se uma espécie de corpo-a-corpo com o leitor delicado. Ou seja, com o advento dos blogs está se criando, no âmbito jornalístico, a necessidade de se ter uma perspicácia e um trabalho de apuração mais minuciosa do que a usual; sobre o que se publica.

A opinião pública face a face com a sociedade 

Diferente do mundo dos impressos, onde barrigadas jornalísticas e erros são mais facilmente camuflados, assumidos de forma genérica pelo veículo, na internet o mecanismo é diferente. A história é outra. A exposição é maior e as implicações também. Por conseguinte, jornalistas de carreira que assinam colunas e páginas virtuais de opinião e notícia sentem o peso diferenciado do front de produção de informações.

Por fim, o jornalista chamou atenção para outra questão complexa e polêmica que circunda todo o mundo: o tempo de vida dos impressos. Se eles estariam fadados a acabar ou não. Noblat, de forma pontual, argumentou dizendo que a decadência da imprensa é culpa do modelo arcaico e sisudo no qual é veiculado e que seriam os próprios jornalistas os agentes que impede a revolução dos jornais, pois permanecem relutantes a mudanças e adaptações mais drásticas. A começar pelo discurso, pelo enfoque. A solução talvez seja ‘blogá-los’ um pouco ás novas demandas e possibilidades ligadas ao jornalismo.