quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A vida e a morte na fotografia de Kevin Carter


Kevin Carter, Sudão (1993)

A tênue linha entre a vida e a morte

O som brando e exaltado de um choro próximo a vila de Ayod (Sudão) atraiu o fotógrafo Kevin Carter até a pequena criança sudanesa. A garota parou para descansar enquanto esforçava-se para ir a pastagem mais ao centro, quando um abutre aterrissa próximo a ela. Kevin disse ter aguardado 20 minutos, esperando que o abutre abrisse as asas. Como não aconteceu, o fotógrafo ajustou as lentes e disparou várias vezes a câmara, acabando, por fim, espantando o abutre.

Kevin ganhou o prêmio Pulitzer de Reportagem pela fotografia, a mais importante distinção do jornalismo impresso. No entanto, passado as aclamações, foi alvo de críticas pesadas por só ter se preocupado em fotografar e não ter ajudado a pequena garota no momento horrendo em que o abutre espreitava a morte da criança. A mais emblemática das críticas foi a do jornal St. Petesburg Florida Times: "Um homem ajustando as lentes até conseguir o quadro perfeito do sofrimento da menina bem pode ser visto como um predador, outro abutre em cena".

Um outro fotojornalista, Joao Silva, que trabalhou com Carter durante missão humanitária das Nações Unidas (UN) no Sudão, aonde a foto foi tirada, contou que no momento em que a imagem foi captada, os pais da garota estavam ocupados tentando angariar alimentos durante distribuição de donativos no avião da UN. Os pais sudaneses abandonaram provisoriamente as crianças locais para conseguirem a ajuda.

A fotografia foi vendida e publicada no jornal americano The New York Times em 1993. Da noite para o dia, centenas de pessoas ligaram para o impresso para saber se a menina havia sobrevivido e, em resposta, o jornal publicou uma nota informando que, no episódio, a garota teve forças suficiente para se afastar do abutre e que seu destino era desconhecido.


Kevin Carter suicidou-se em 1994, um ano depois de ter tirado as fotos, vítima de depressão e do vício em drogas.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

XONGAS - Lula e São Tomé


''São Tomé estaria completamente desacreditado. Lula, por exemplo, nem vendo se acredita''.


A notícia deste post: o comentário espirituoso acima de Millôr Fernandes sobre o índice de aprovação (estratosférico) do Governo Lula, foi um assunto que deu pano pra manga. Mas antes de continuar, primeiro deixe-me situar você sobre a avaliação do governo Lula: 69% das pessoas consideram ótimo ou bom a gestão. O indíce de confiança no presidente chegou a 73%. Praticamente podem canonizá-lo!
Este alto grau de aprovação só foi alcançado no Governo Sarney durante o ápice do plano Cruzado, quando se esperançava com o pacote financeiro um futuro mais promissório para o Brasil. Lula também é "considerado o melhor cabo eleitoral que já existiu" (segundo Ricardo Noblat). Desta forma ele seria capaz de eleger até candidatos inelegíveis.
E então você se pergunta, e daí?

E daí que depois da sentença do Millôr, os desavisados e distraídos, como eu, se perguntam o quê tem a ver São Tomé com a santidade Luis Inácio Lula da Silva. Quem é, afinal, Tomé?

RESPOSTA: São Tomé, um dos doze Apóstolos escolhidos por Cristo é conhecido por sua incredulidade. De acordo com registros bíblicos, Tomé teria duvidado da ressurreição de Cristo e declarado que só se convenceria do milagre se ele pudesse sentir as chagas de Cristo, enfim, como prova do acontecimento, como retratou o pintor italiano Caravaggio:


A incredulidade de São Tomé
Deste episódio surge então a designação Tomé o Incrédulo. Mas passada a confusão do Apóstolo (não há menção biblíca sobre Tomé ter tocado de fato nas chagas) ele passa a professar sua fé em Lula, quer dizer, em Jesus.
Lula, afinal, ressuscitou também. Depois de todas as provações e escândalos que abalaram as estruturas da alta cúpula do PT e do Governo, Lula segue intrépido com o apoio siginificativo da população. Antônio Palocci, José Dirceu, Delúbio Soares e Marcos Valério foram os Judas Escariotes de outrora na vida de Luís Inácio. E eles passaram, ele passarinho. Portanto, Lula nem vendo se acredita, como disse Millôr.