Kevin Carter, Sudão (1993) A tênue linha entre a vida e a morte
O som brando e exaltado de um choro próximo a vila de Ayod (Sudão) atraiu o fotógrafo Kevin Carter até a pequena criança sudanesa. A garota parou para descansar enquanto esforçava-se para ir a pastagem mais ao centro, quando um abutre aterrissa próximo a ela. Kevin disse ter aguardado 20 minutos, esperando que o abutre abrisse as asas. Como não aconteceu, o fotógrafo ajustou as lentes e disparou várias vezes a câmara, acabando, por fim, espantando o abutre.
Kevin ganhou o prêmio Pulitzer de Reportagem pela fotografia, a mais importante distinção do jornalismo impresso. No entanto, passado as aclamações, foi alvo de críticas pesadas por só ter se preocupado em fotografar e não ter ajudado a pequena garota no momento horrendo em que o abutre espreitava a morte da criança. A mais emblemática das críticas foi a do jornal St. Petesburg Florida Times: "Um homem ajustando as lentes até conseguir o quadro perfeito do sofrimento da menina bem pode ser visto como um predador, outro abutre em cena".
Um outro fotojornalista, Joao Silva, que trabalhou com Carter durante missão humanitária das Nações Unidas (UN) no Sudão, aonde a foto foi tirada, contou que no momento em que a imagem foi captada, os pais da garota estavam ocupados tentando angariar alimentos durante distribuição de donativos no avião da UN. Os pais sudaneses abandonaram provisoriamente as crianças locais para conseguirem a ajuda.
A fotografia foi vendida e publicada no jornal americano The New York Times em 1993. Da noite para o dia, centenas de pessoas ligaram para o impresso para saber se a menina havia sobrevivido e, em resposta, o jornal publicou uma nota informando que, no episódio, a garota teve forças suficiente para se afastar do abutre e que seu destino era desconhecido.
Kevin Carter suicidou-se em 1994, um ano depois de ter tirado as fotos, vítima de depressão e do vício em drogas.
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